Apple TV+ Tem no Brasil Seu Segundo Maior Mercado, Revela Eddy Cue

O Brasil é hoje o segundo maior mercado do Apple TV+ em número de assinantes — e também o que mais cresce. A revelação foi feita por Eddy Cue, vice-presidente sênior de serviços da Apple, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

A declaração chama atenção por dois motivos. Primeiro, porque mostra a força do mercado brasileiro para o ecossistema de serviços da Apple. Segundo, porque evidencia uma contradição: apesar do crescimento acelerado no país, a Apple ainda não produziu conteúdo original brasileiro para o Apple TV+.

Brasil Já É Peça Estratégica Para o Apple TV+

Segundo Cue, o Brasil ocupa a segunda posição global em número de assinantes do Apple TV+, ficando atrás apenas do maior mercado da plataforma. Além disso, é atualmente o país com crescimento mais acelerado na base de usuários.

Esse dado reforça algo que o mercado já vinha observando: o consumidor brasileiro responde bem a serviços de streaming quando percebe qualidade no catálogo. No entanto, diferentemente de concorrentes como Netflix, Amazon Prime Videoe Disney+, a Apple ainda não transformou o Brasil em um polo de produção local.

Enquanto essas plataformas investem há anos em séries e filmes nacionais, a Apple segue dependente majoritariamente de produções internacionais.

Apple Reconhece Atraso na Produção Local

Durante a entrevista, Eddy Cue admitiu que a empresa ainda precisa avançar nesse aspecto. Ele afirmou que a Apple sabe da demanda por conteúdo de qualidade no Brasil e reconhece o potencial do país como mercado criativo.

Segundo ele, o processo pode não ser tão rápido quanto gostaria, especialmente quando o objetivo é manter alto padrão de qualidade. Ainda assim, deixou claro que a empresa pretende evoluir nessa frente.

Portanto, embora ainda não haja anúncio concreto de produções brasileiras originais, o sinal estratégico está dado: o Brasil entrou definitivamente no radar da Apple como prioridade.

A Estratégia da Apple Para o Cinema Continua

Outro ponto relevante da entrevista envolve a aposta da Apple em lançamentos nos cinemas.

Eddy Cue reafirmou o compromisso da empresa com estreias teatrais por meio de parcerias de distribuição. Ele citou como exemplo o sucesso de “F1: The Movie”, distribuído pela Warner Bros., que chegou a receber indicação ao Oscar.

Embora reconheça que o público está cada vez mais seletivo para sair de casa e ir ao cinema, Cue defendeu que a experiência coletiva continua insubstituível. Segundo ele, assistir a um filme em sala de cinema, seja em um encontro ou com a família, mantém um valor cultural único.

Essa visão reforça a estratégia híbrida da Apple: fortalecer o streaming, mas sem abandonar o circuito tradicional.

Relação com Netflix e Warner Bros. Não Deve Mudar

Durante a entrevista, também foi levantada a possibilidade de mudanças no cenário de mídia, especialmente considerando negociações envolvendo a Warner Bros.

Eddy Cue demonstrou tranquilidade ao falar sobre o tema. Ele destacou o bom relacionamento da Apple tanto com a Netflix quanto com a Warner, sugerindo que eventuais mudanças societárias não devem afetar acordos de distribuição.

Desde então, a Netflix deixou a disputa pela Warner, e a Paramount é atualmente apontada como provável vencedora do processo regulatório.

Além disso, a Apple firmou parceria com a Netflix nos Estados Unidos para disponibilizar a temporada mais recente de Formula 1: Drive to Survive dentro do Apple TV.

Apple TV+ Cresce, Mas Ainda Dá Prejuízo

Apesar do crescimento no Brasil e em outros mercados, o Apple TV+ ainda não atingiu lucratividade.

Um relatório publicado em março de 2025 revelou que o serviço alcançou aproximadamente 45 milhões de assinantes em 2024. No entanto, mesmo com essa base expressiva, a plataforma teria registrado prejuízo superior a US$ 1 bilhão anual.

Desde o lançamento, em 2019, a Apple investiu cerca de US$ 5 bilhões por ano em produção de conteúdo. Contudo, em 2024, esse orçamento foi reduzido em aproximadamente US$ 500 milhões após pressão interna por maior eficiência financeira.

Portanto, embora o crescimento seja consistente, o desafio agora envolve equilibrar expansão de catálogo com sustentabilidade financeira.

O Que Isso Significa Para o Brasil?

O fato de o Brasil ser o segundo maior mercado do Apple TV+ pode gerar consequências importantes nos próximos anos.

Primeiramente, aumenta a probabilidade de investimento em produções locais. Além disso, reforça o papel estratégico do país dentro da divisão de serviços da Apple, que hoje representa parcela significativa da receita global da empresa.

Por outro lado, o atraso na produção nacional mostra que a Apple ainda precisa acelerar decisões se quiser competir de forma mais agressiva com Netflix e Amazon no mercado brasileiro.

Conclusão

O Brasil já é um dos pilares globais do Apple TV+, mesmo sem produções originais locais. Isso demonstra a força da marca Apple e a atratividade do catálogo atual.

No entanto, o próximo passo lógico será investir em conteúdo brasileiro. Caso contrário, a empresa corre o risco de deixar espaço para concorrentes que já consolidaram presença criativa no país.

A grande questão agora é: quando veremos a primeira série original brasileira do Apple TV+?

Paulo Alexandre

E-empreendedor, Consultor de tecnologia, Especialista Apple, Blogger, criador do portal Tecnologia Pessoal e Blog do Super Apple.

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